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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Biblioteca

Lembro-me a primeira vez que fiz ficha em uma biblioteca pública, depois de muita insistência nos ouvidos de minha mãe.

Desde então, quando comecei a ir e vir com minhas próprias pernas ( e isso começou por volta dos meus nove anos),  aquele lugar onde o silêncio misturava-se a sonhos passou a ser algo tão natural quanto ir a minha própria casa.

Caminhava entre as prateleiras, e ficava horas naquele lugar, sempre saindo com o limite máximo de livros permitidos.

A biblioteca sempre foi o meu refúgio, quando estava me sentindo sozinha, triste ou alegre. Lá encontrava amigos-personagens com quem desvandava histórias que passavam a fazer parte de mim, se misturavam com a minha vida.

As letras traziam as palavras que se faziam silêncio no meu lar ou que eu não achava respostas em qualquer outro lugar.

Morava numa cidadezinha do interior. Sempre sozinha com meus pensamentos. De bicicleta e mochila nas costas. Sempre fazendo caminhos diferentes no asfalto. Sempre sonhando acordada.

De onde nasceu minha paixão pelos livros? Não sei.

Talvez porque visse minha mãe sempre lendo algo, no entanto, meus irmãos nunca foram ávidos leitores.

Quando fecho os olhos hoje, já passadas algumas décadas. Lembro daquele lugar que ficava entre frondosas árvores e é como estivesse lá de novo.

A frente ficava o hospital da cidade. Eu saía a maioria das vezes pela porta de traz. Entreabrindo páginas, deixando letras a se derramarem pelo chão...

Onde ficou escrita parte da minha história.

Pérola - 04/01/2011

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